Reflexões

A luz do fim da tarde e o silêncio que ela pede

· 3 min de leitura · por Júlia Bettanin

A luz do fim da tarde e o silêncio que ela pede

Existe uma hora do dia em que o mundo baixa o tom. O sol encosta na linha das árvores, o vento diminui e tudo o que é duro fica macio. Fotógrafos chamam de hora dourada. Eu chamo de hora do silêncio.

O que a luz baixa faz com um retrato

Ela contorna em vez de revelar. Não marca olheiras, não endurece a pele, não cria sombras agressivas. A barriga ganha volume por gradiente, não por contraste. É a luz mais generosa que existe com o corpo de uma gestante.

O silêncio faz parte da técnica

Nos meus ensaios eu falo pouco. Não por frieza — por método. Quando paramos de conversar, o rosto abandona a expressão social e volta ao que é. Aquele instante de dois ou três segundos, em que a pessoa esquece a câmera e olha para dentro, é onde mora o retrato.

Presença não se posa. Ela acontece quando ninguém está tentando.

Flores secas, trigo, o que resta

Gosto de galhos secos e ramos de trigo em cena porque eles dizem a verdade sobre o tempo: já foram verdes, continuam bonitos. Uma gestação é exatamente isso — uma fase que termina e permanece. Fotografar é aceitar as duas coisas ao mesmo tempo.

Se você chegou até aqui, provavelmente já entendeu que não estou falando só de fotografia. Estou falando de reservar um fim de tarde da sua vida para prestar atenção nela.

Vamos registrar esse momento?

As datas de cada mês são limitadas. Me conte em que semana você está e eu verifico a agenda.